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Consciência fluminense

Data: 20/05/2008

Resultados da Pesquisa de Gestão Ambiental na Indústria, da Firjan, apontam: em 2007, as empresas do Rio investiram ainda mais na preservação ambiental

Março de 2008 - JB Ecológico

A indústria do Estado do Rio de Janeiro está significativamente mais consciente de seu impacto e de seus direitos e deveres com relação ao meio ambiente. Esta foi a principal conclusão da quarta edição da Pesquisa Gestão Ambiental, consolidada em janeiro de 2008 e realizada pela Diretoria de Inovação e Meio Ambiente (DIM) e pela Divisão de Pesquisas (Dpesq), do Sistema FIRJAN (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro). Esta pesquisa é uma ação prevista no Mapa do Desenvolvimento do Estado do Rio de Janeiro, lançado em agosto de 2006 pela organização, como um instrumento de incentivo à prática da responsabilidade social e ambiental. O levantamento possibilita um acompanhamento de informações ambientais na área industrial, como o reconhecimento das empresas sobre seus aspectos ambientais, sua relação com os órgãos competentes e as dificuldades que enfrentam para a melhoria em questões que envolvem o tema. Esses dados formam uma importante base para o planejamento de ações ambientais no estado, além de ser um termômetro das atividades, das iniciativas e dos entraves que permeiam o dia-a-dia das empresas e das instituições eco-responsáveis do Rio. Como será observado a seguir, as empresas consultadas identificaram com mais clareza os aspectos ambientais relacionados às suas atividades. Apontaram também o que impede ou dificulta a implantação de ações de melhoria ambiental e demonstraram, de forma geral, estarem mais bem informadas sobre os temas abordados.

Metodologia amostral
De uma forma geral, as respostas às questões apresentadas variaram de acordo com o porte da empresa, mas esta variação não é significativa entre empresas de diferentes regiões do estado. Como pequenas, médias e grandes empresas apresentam diferentes comportamentos, a amostra foi definida com representatividade estatística por porte. Das 353 empresas consultadas, 111 (31,4%) estão localizadas no município do Rio de Janeiro. A segunda região com maior número de empresas contatadas foi a Baixada II, abrangendo Duque de Caxias, Belford Roxo, São João de Meriti e Magé (19,8%), seguida da Baixada I, que inclui Mangaratiba, Itaguaí, Seropédica, Nova Iguaçu e Nilópolis (12,5%), Sul (10,2%), Leste (7,9%), Norte (7,4%), Serrana (5,1%), Centro Norte (4%) e Noroeste (1,7%).

Aspectos ambientais
Como nas pesquisas de 2005 e 2006, todas as empresas consultadas souberam apontar os principais aspectos ambientais relacionados às suas atividades. O item "Resíduos Sólidos Não-Perigosos" se manteve como o principal aspecto da indústria fluminense, citado por 82,4% do total da amostra. O segundo aspecto mais mencionado também foi o mesmo de 2006: uso intenso de energia elétrica ou combustível (68,3%). O número de empresas que afirmou não haver questões ambientais relacionadas à sua atividade caiu de 3,6% para apenas 1,4%. Todas as demais opções tiveram maior número de respostas, mostrando que o empresariado está mais consciente dos potenciais impactos de sua produção. Dividindo a amostra por porte, vemos que as grandes empresas reconhecem mais aspectos em sua atividade do que as médias e pequenas. Ainda assim, apenas 2,2% das pequenas empresas afirmaram não existir questões ambientais - percentual significativamente menor do que os verificados em 2006 (5,4%) e em 2005 (5,9%).

Dificuldades
Diferente do verificado nas pesquisas anteriores, em que grande parte das empresas afirmou nunca ter encontrado dificuldade para melhoria ambiental, nesta edição a resposta é de apenas 26,6%, se considerarmos a amostra total. O percentual é ainda menor se considerarmos apenas as grandes empresas (14,5%). Foi solicitada a indicação de três principais dificuldades para melhoria ambiental, de forma espontânea - ou seja, não eram oferecidas opções de resposta. Da amostra total, apesar da pulverização das respostas, a principal causa apontada foi a burocracia dos órgãos responsáveis (17,3%), diferente de 2005 e 2006, quando a principal causa foi a falta de recursos financeiros. Pelo primeiro ano, nenhuma empresa alegou que a questão ambiental não é importante. As empresas de grande porte, além da burocracia (24,2%), apontaram a dificuldade em conseguir licenciamento e orientação de órgãos públicos (17,7%). Já para as médias, a burocracia (16,8%) é uma dificuldade menor que a conscientização ambiental de pessoal e da sociedade (18,6%) e que a falta de recursos financeiros (17,7%). Boa parte das pequenas empresas afirma não haver dificuldades (35,4%). Das demais, 15,2% apontaram a burocracia; 13,5%, conseguiram licenciamento e orientação; e 11,8%, a falta de recursos financeiros.

Iniciativas
Quando questionadas sobre as ações na área ambiental que pretendem adotar nos próximos dois anos, "manter procedimentos já adotados" foi a resposta de 38% das empresas, resultado similar ao obtido em 2006 (44,8%). Em 2005, esta foi a resposta de apenas 1,3% dos entrevistados; a resposta mais citada então foi "introduzir Sistemas de Gestão Ambiental". O diferencial da pesquisa de 2007 foi a queda no número de empresas que não pretendem adotar nenhuma ação. O percentual caiu de 30,8% em 2005 para 20,2% em 2006 e apenas 11% em 2007, em mais um indício de que o setor industrial está mais consciente. Entre as grandes empresas, destacam-se as previsões de implantação da coleta seletiva (32,3%) e de certificação ambiental (27,4%). Esta última também foi bastante citada pelas médias empresas (18,6%), mas a resposta mais recorrente foi a manutenção de procedimentos já adotados (41,6%). As pequenas empresas também informaram que vão manter procedimentos (39,9%), mas 16,9% disseram que não prevêem nenhuma ação ambiental. Ainda assim, este índice é significativamente menor do que nos anos anteriores.

Licenciamento ambiental
Ao solicitar que indicassem as relações que mantêm ou mantiveram com os órgãos ambientais, o licenciamento ambiental foi citado por 79,3% e a fiscalização, por 76,8%. Separando por porte, estas continuam sendo as respostas mais citadas. Das empresas de pequeno porte, 15,7% disseram não manter relação nenhuma, contra 7,1% das médias e apenas 4,8% das grandes empresas. O aumento expressivo de empresas que passaram a declarar que possuem relações com órgãos ambientais e a diminuição do percentual de empresas que declararam que não se relacionam com esses organismos parecem indicar que mais empresas estão buscando sua adequação, e apontam uma postura mais pró-ativa do setor industrial. Quando questionadas sobre suas licenças ambientais, 55,8% da amostra total afirmaram ter licença em vigor, resultado menor do que o encontrado em 2006. Diversas circunstâncias podem explicar essa diminuição. Em primeiro lugar, aumentou de 72% em 2006 para 79% em 2007 o percentual de empresas que, não tendo licenças em vigor, estão buscando sua regularização. Em segundo lugar, a pesquisa mostrou claramente que grande parte das empresas que não sabiam que precisavam de licenças ambientais - 23,5% dos entrevistados fizeram essa declaração em 2006 - compreenderam a necessidade de licença. Apenas 3,8% das empresas afirmaram, em 2007, que não precisam de licença ambiental. Das empresas que solicitaram renovação, 63,8% já o fizeram há mais de um ano. Em 2006, esse percentual foi de 66,7%. Às empresas que não têm licença ambiental em vigor, foi pedido que indicassem as principais dificuldades que têm ou tiveram na relação com os órgãos ambientais. Desta amostragem, 47,5% afirmaram não ter nenhum tipo de dificuldade. A falta de informações adequadas para o licenciamento apareceu apenas na quinta colocação, citada por 9,9% dos respondentes. Em 2006, esta foi a resposta de 18,2% das empresas consultadas. Todas aquelas que não têm licença em vigor e não entraram com pedido de renovação firmaram que nunca foram autuadas ou multadas por falta de licença ambiental.

Investimentos/Economia
Das 353 empresas participantes, 76,2% nunca foram questionadas sobre sua situação ambiental por clientes, seguradoras ou bancos. Houve uma queda com relação ao ano anterior, em que 86,6% das empresas nunca haviam sido questionadas. A consulta partiu de clientes nacionais para 11,9% das empresas. Em 2006, esse índice era de 8,2% - houve um acréscimo de 3,7 pontos percentuais. Clientes estrangeiros questionaram 8,5% das empresas (mais 3,6 pontos percentuais do que em 2006) e seguradoras ou bancos, 7,4% (em 2006, apenas 4,6%). Se considerarmos apenas as empresas de grande porte, estes três números são bem mais significativos: 29% foram consultadas por clientes estrangeiros, 19,4% por nacionais e 14,5% por seguradoras ou bancos. Quanto à realização de investimentos nos últimos 12 meses (inicial, manutenção, análises, monitoramento e operação de equipamentos de controle ambiental), a pesquisa mostrou que em 2007 mais empresas investiram em meio ambiente - 84,1% das empresas, contra 73,2% em 2006. As previsões feitas na pesquisa neste ano foram superadas, já que apenas 65% das empresas planejavam investir em meio ambiente no ano seguinte. Até dezembro de 2008, 74,8% da amostra total pretendem investir. A diferença quanto às previsões fica mais clara entre as empresas de pequeno porte. Na pesquisa de 2006, 53,7% tinham pretensão de investir no ano seguinte; nesta pesquisa, este número subiu para 67,4%. Para comprar equipamentos ou implementar ações ambientais, apenas 5,7% das empresas buscaram financiamento. Analisando por porte, verifica-se que as pequenas empresas são as que menos procuram financiamento (89,9% sequer tentaram). Apenas 9,7% e 6,2% das grandes e médias, respectivamente, obtiveram êxito.

Conhecimento
A pesquisa mostrou que, de maneira geral, houve um ganho no índice de conhecimento das empresas sobre os temas e instituições ambientais sugeridos pelo entrevistador. O índice varia de 01 a 04 e a pontuação foi atribuída da seguinte forma: "não sabe" (1), "sabe muito pouco" (2), "tem uma idéia" (3) e "está bem informado" (4). Feema e Ibama obtiveram os índices mais altos: 59,8% e 51% das empresas, respectivamente, afirmaram estar bem informadas sobre as atividades dessas instituições. O tema Licenciamento Ambiental também obteve boa pontuação. Aqueles que envolvem recursos hídricos - Comitês de Bacia, outorga e Agência Nacional de Águas (ANA) - ainda são os mais críticos. Ainda assim, apresentarem um progresso com relação a 2006: naquele ano, 60,7% dos respondentes afirmaram nada saber sobre os Comitês, contra apenas 30,6% em 2007. Outro tema que precisa ser esclarecido entre as empresas é o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), sobre o qual apenas 17,8% das empresas declararam estar informadas.

As empresas indicaram a burocracia dos órgãos ambientais como a principal dificuldade para a melhoria na área. Em 2005 e 2006, a principal causa foi a falta de recursos financeiros

FIR JAN/AR TE SANAKAN


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